sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Vindimas Douro - Vinha do Pombal + Vinha da Serra


Eis chegado o grande dia. O dia em que resumimos todo o trabalho do ano em prol da nossa vinha. É pois tempo de trabalhar duro, mas também de desfrutar e sentir a magia deste lugar.


Começo pela melhor parte: A hora da bucha!
(Da esquerda para a direita: Sr. Ferreira, Márcio, Pedro, Toni, Sr. José, e o João a segurar na camara. Um grande abraço para todos eles)



De facto, o trabalho foi duro, e o sumo, esse, como ja se previa, embora não quisesse acreditar, muito pouco! Bem que podíamos procurar, mas os cachos ja ha muito haviam sido levados pelo granizo.



Embora, houvessem algumas "exceções" :)



Embora a produção fosse muito pouca, mesmo assim, os poucos cachos mais sensíveis que apresentavam sinais de podridão, como estes do lado esquerdo, são deitados para o chão.



A Vinha Velha é assim mesmo, baixinha, e obriga a um esforço físico suplementar para quem vindima...



... com cachos dispersos e sem orientação.




Mais uma pequena pausa... « Quem não serve para comer, não serve para trabalhar! »




Lembram-se da "passarada"... Pois, também ja seguiram o seu "voo"...



Algumas uvas brancas no tinto, também não fazem mal nenhum.



A Vinha do Pombal, deu mais quantidade de uvas brancas que tintas.



Começava a ser hora de levar as uvas para a adega.



Na Vinha da Serra, as uvas tintas não foram tão atingidas, mas mesmo assim, colhemos muito poucas.



Na adega, o trabalho continuou noite dentro, mais uma vez, com a ajuda do Jorge Lourenço por nos, ceder as suas instalações.
No caso do tinto, tivemos entre a Vinha do Pombal e a Vinha da Serra, cerca de 400kg de uvas tintas :(


As uvas tintas depois de desengaçadas foram pisadas a pé de forma a fazer uma extração suave de taninos e cor. Passaram cerca de 2 dias a fazer pré-maceração a frio, aproveitando a noites frias fora da adega. Sem qualquer tipo de adição, começam a fermentar com as leveduras nativas.
Espero estar enganado, mas devemos ter menos de 300L de vinho tinto :(



Na Vinha do Pombal tivemos cerca de 800kg de uvas brancas.
Depois de desengaçadas, as uvas foram esmagadas apenas com adição de acido ascórbico para não oxidar e uma pequena quantidade de Sulfuroso. Depois de decantado com ajuda de frio, sem adição de qualquer tipo de enzimas, o mosto foi passado e limpo, e esperamos que comece a fermentar com as leveduras nativas. Não creio, que tenhamos mais de 500Litros de mosto branco :(



Ano zero, na Vinha do Pombal, começou assim :)








terça-feira, 6 de setembro de 2016

Contagem decrescente... para a vindima!!!

Contagem decrescente... os nervos e ansiedade começam a tomar conta de mim.
Estou ansioso por começar especialmente esta vindima, ou por outro lado, encerrar um ano, que foi desastroso, e que no meu caso do Douro, me levou parte da produção.

Mas não me dou por vencido. Ainda há muito para fazer!

Penso que faz sentido começar a falar um pouco da Região dos Vinhos Verdes, onde produzo o Vinho Pequenos Rebentos. Aliás o futuro deste blogue passará por albergar informação de todos os nossos trabalhos realizados e vinhos produzidos, já a partir desta publicação.



Começando pelo Douro, as minhas princesas, dão uma preciosa ajuda. Na Vinha do Pombal, respira-se ar puro, as videiras embora danificadas pelo granizo de Julho, dão um ar da sua graça e começamos a sentir o cheirinho a vindima...



É tempo de começar com os controlos de maturação... A fim de determinar a data certa de vindima.



Olhar para vinha e perceber como está a reagir ao calor, que por esta altura é tórrido...



Ainda em relação aos estragos provocados pelo granizo, costuma-se dizer, "entre mortos e feridos alguém escapa"...


O amanhecer na Vinha do Pombal, é qualquer coisa especial.



A Vinha da Serra, um pouco atrasada, relativamente, à Vinha do Pombal, está a evoluir muito bem.

(A Vinha da Serra relembro, estava dada ao abandono quando comecei a cuidar dela por "empréstimo", a proprietária cedeu o terreno, e eu fico com as uvas. A intenção da proprietária era vender, e às portas da vindima, tentamos chegar a acordo para a compra, mas infelizmente, esse acordo não chegou e portanto, a Vinha da Serra, será comprada por outro senhor que vai arrancar a vinha, para depois poder usar os direitos de plantação noutro lado... Enfim, a vida nem sempre corre como queremos. Da Vinha da Serra, o único ano de produção será o de 2016!)

A vida continua, e por volta do fim de Agosto, conheci um Viticultor que tinha uma Vinha Centenária....


Que desassossego, estas uvas tinham de ser para mim...



Uma Vinha com 120 anos, plantada a 745 metros altitude, bem no limite da Região Demarcada do Douro. Exposta a Sul e Poente, com um solo já de transição entre o xisto e o granito, foi de uma forma geral, sendo tratada, pela sabedoria de um jovem de 75 anos.



Mais castas brancas que tintas.



De visita a Portugal, desafiei, o meu amigo Michael Wren, Enólogo, Australiano, mas apaixonado por Portugal, a fazer o vinho comigo. Já nos conhecemos há 10 anos, e nada melhor para comemorar do que fazer um vinho juntos!



Ainda são algumas videiras, mas umas têm 1 cacho, outras 2 cachos, outras nem um! Ainda assim pensamos vir a fazer cerca de 1200 a 1500kg.


Para além desta surpresa, e que rica surpresa, conto fazer na Região dos Vinhos Verdes, para além do Pequenos Rebentos Alvarinho e Pequenos Rebentos Alvarinho/Trajadura, algumas novidades.
A saber:



Vinhão de Amarante. Vinha recente plantada pelo Eng. Henrique, um homem das engenharias, mas um apaixonado pela Terra!



Vinha Velha de Loureiro com 27 anos. Local mágico entre Braga e Ponte de Lima.



Na Região dos Vinhos Verdes, não temos produção própria, por isso temos de comprar uvas, e que ricas uvas...


E provavelmente, um Alvarinho muito especial!


Todas as ideias, são inicialmente "lunáticas", e se a meteorologia ajudar, eu tenho de confessar que já estou com a cabeça na lua!!! :)





O Sr. Pintor


O Sr. Pintor, deu um ar da sua graça, por inícios de Agosto, na Vinha do Pombal.
A partir desta altura,  pouco havia para fazer, o tempo estava de acordo, embora com um pouco de calor a mais...



Na Vinha da Serra também temos uvas brancas e tintas misturadas... Na Vinha da Serra, o pintor foi por volta do dia 10 Agosto.
Isto significa que teríamos de contar mais ou menos 40-45dias para a data da vindima.

Mas calor a mais, também é prejudicial, porque a videira com temperaturas muito elevadas, entra em modo de defesa - Stress-hídrico - em vez de "trabalhar" para degradar a acidez e potenciar o açucar, pára a fotossíntese, e começa a transpirar, pode por vezes ir buscar agua aos bagos,  o e não nos interessa. O que nos interessa mesmo é a luminosidade para a clorofila puder trabalhar para os nossos cachinhos.



No fim de Agosto, conheci um viticultor com 75 anos, verdadeiro apaixonado, com cerca de 5 ha de vinha velha entre 30 a 120 anos, distribuídas por varias parcelas, mais uma vez, deparo-me com um diamante em bruto...



Neste caso, uma suis generis Vinha Centenária, com cerca de 120 anos, plantada a cerca de 745metros altitude. Mais uvas brancas que tintas.

Com estas datas de Pintor, podemos apontar para uma vindima entre 15-20 Setembro.

Por esta altura, ja tinha saudades da época da vindima...





domingo, 4 de setembro de 2016

Critica Vinho Branco PERMITIDO Douro 2015


Assim, nos encontramos... Entre os bons...!!! Revista Paixão pelo Vinho #Agosto2016

Trata-se de um vinho produzido a quase 700m de altitude, proveniente de uma vinha velha com base na casta rabigato, localizada na Mêda, quase nos limites da região demarcada duriense.

* A beber... 1.800 garrafas e, cerca de, 100 garrafas magnum !!!*

Acreditamos que podemos fazer melhor! Obrigado por continuar a acreditar no nosso trabalho :)


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

A propósito (inflizmente!) dos incêndios

Talvez ainda não tinha feito referência mas a nossa Vinha do Pombal, tem cerca de 1 ha,  envolvida em 4ha na sua totalidade.
Ao fundo, atualmente encontra-se assim, vinha ao centro e limpa no seu redor.



Poucas são as palavras para descrever os horrendos acontecimentos nas ultimas semanas com as florestas portuguesas.

(foto: in Publico)

Aldeias e Vilas destruídas, trabalho de uma vida por àgua abaixo...
Bombeiros exaustos e sem forças.


(foto: in Publico)

Ar completamente irrespirável... Responsáveis por tudo isto, impunes!

(foto: in JN)

Atualmente levantam-se algumas questões, relativamente à limpeza dos terrenos, batendo sempre na mesma porta: A limpeza dos terrenos abandonados é da responsabilidade dos proprietários ou da camara?

Não tenho resposta. Mas posso falar do que nos diz respeito.


Concentrando alguma atenção nas minhas ideias, por altura da Primavera, o Mildio já tinha destruído parte da produção um pouco por toda a região do Douro, nalguns casos, não por falta de tratamento, mas por dias consecutivos de chuva que impossibilitou o seu tratamento.

E como, já fiz referencia aqui, as nossas vinhas foram passando literalmente pelo meio das pingas da chuva.

Como não usamos herbicidas, a erva em redor da vinha cresceu e muito!



Ao fundo, cerca de 3 ha de mato em volta da vinha (vinha ao centro), era para mim assustador, não queria sequer imaginar o que o calor abrasador da região poderia fazer.


(ANTES)

Por isso contratei um serviço de limpeza, e tratamos de desmatar toda a area envolvente. Um serviço caro, mas necessário para manter a vinha segura.


(DEPOIS)
.
O trabalho, a dedicação, o tempo, que havido sido prestado a estas Vinhas Velhas do Pombal, justificava de longe este investimento.

(BULLDOZER EM ACÇÃO)

Como é nossa intenção vir a plantar no futuro algumas variedades, o trabalho ja ficou, também ele, adiantado.



Como disse anteriormente, os terrenos abandonados, esses, até se sabe de quem são, mas "ninguém quer saber."


Já algum tempo falo sobre o ano de 2016 e hoje relembro um pouco do que penso. Sem querer fazer futurologia, creio que este ano, em geral, não será grande ano para o vinho (como digo, espero bem, estar enganado...!!!)

2016 é um ano bissexto, e segundo o provérbio: "Ano bissexto, não cabe nada no cesto".

Também a história do Vinho do Porto, conta isto muito bem... Os anos terminados em 6, salvo 1966, que até houve Quinta do Noval Nacional, todos os restantes do que há história, foram muito fracos, dando origem a poucos vinhos com qualidade ou mesmo nenhuns.

Para a agricultura em geral, Amendoeiras, Cerejeiras, Castanheiros, etc este ano é para esquecer...




Inflizmente, o meu incendio, foi afinal, a queda de granizo :( 

Negócio a céu aberto é assim mesmo, incerto.




terça-feira, 12 de julho de 2016

O Impensável... De facto aconteceu.

Dou por mim em frente ao computador, com imenso trabalho para despachar, mas com a cabeça no projeto que me tem captado a atenção há já algum tempo.
E fico na dúvida se de facto devo escrever ou não sobre o que aconteceu nos últimos dias, isto porque, não são coisas boas, e de todo me deixam confortável quando me lembro que todo o trabalho em prol de algo em que nos empenhamos a "1000%", vai, num ápice, por agua abaixo...




Começando pela floração... Os primeiros cachinhos começavam a aparecer no fim de Maio, na Vinha do Pombal e no inicio de Junho na Vinha da Serra...




A floração decorreu de forma irregular, mas aparentemente bem...





No dia de Portugal, a maior parte dos cachos floriram bem.



Pese embora alguma humidade e ligeiros chuviscos nos dias seguintes, que de certa forma causaram algum desavinho.




Seguiram-se dias muito quentes de temperaturas a rondar os 38º/40ºC até fim de Junho.



A Alimpa decorreu bem (fase após a floração).



Os cachos evoluíam de forma natural já com aspeto de bagos de chumbo.



Até que calor a mais, também deixava a desejar... não imaginava que a vinha pudesse ser tão castigada... Depois de ter sido poupada a herbicidas e Cª, eis que surge uma trovoada que arrasa com a produção.



O Sr Ferreira, (o senhor que nos trata a vinha) por telefone, preparou-me para o pior: "Sr Engenheiro, o granizo levou tudo... Folhas, cachos,... só deixou as varas ao alto". Pois bem, tinha de meter pés ao caminho, tinha de ver com os meus olhos, embora sentisse um vazio dentro de mim e vontade de voltar para trás... não queria ver o cenário.


A Vinha da Serra: O Antes.




A Vinha da Serra: O Depois
(a falta de cor verde nas videiras é evidente)



A Vinha do Pombal...O Antes.



A Vinha do Pombal... Enfim...




O Sr Ferreira preparou-me, de facto, para o pior, no entanto, a queda do granizo foi suficiente para levar cerca de 70% da produção deste ano.
Preparamos imediatamente um tratamento à base de calda bordalesa com enxofre molhável. Enxofre para aguentar a fruta que ficou e Carbonato de Cálcio para sarar as feridas das varas, folhas e cachos.



Tinhamos passado literalmente, no meio das pingas da chuva, desde o inicio do ciclo. Tinhamos passado à margem de doenças pouco comuns na região mas arrasadoras (por falta de conhecimento), como o Míldio... e enfim, uma trovoada deu cabo disto tudo.

Embora não viva da venda das uvas, vivo do vinho, mas não deixei de ficar emocionado ao ver tanto trabalho a desaparecer.

Resta arregaçar as mangas... Salvar o que resistiu...
E preparar as videiras para o próximo ano.

Este ano, o sonho ficou afetado, mas não me deixou pendurado. Voltamos aos "ces", Se não vier outra surpresa, os 30% que ficaram, tanto na Vinha da Serra como na Vinha do Pombal, vou fazer tudo, mas tudo, para que deem origem a vinhos memoráveis!