quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Vindimas Vinhos Verdes - Pequenos Rebentos Loureiro e Loureiro V.V.

Com o fim do Verão, chega também a vindima do nosso primeiro Loureiro.



Nesta vinha entre Ponte de Lima e Braga, começamos a colher os primeiros cachos de Loureiro.



A maior parte desta vinha foi plantada em 1989.



Para a Região dos Vinhos Verdes, trata-se de uma vinha velha.



Em torno da casta Loureiro, existem os que defendem as vinhas novas, porque originam mais fruta, outros (como eu!), defendem quase sempre as vinhas velhas, porque para além de "dar" seu toque de frescura, acrescentam também um toque extra de estrutura, a um vinho por norma, mais leve.



A chegada a adega correu sem sobressaltos



Estava curioso com o que poderia sair daqui.



As uvas tinham ótimo aspeto.



A vinificação foi a tradicional, de bica aberta, para o Loureiro Clássico e de maceração para o Loureiro V.V.. Sim,... porque não bastava um, fui logo pensar no par :)


Como a casta Loureiro é muito sensível a oxidações, é importante trabalhar em atmosfera reduzida...



... Com a aplicação de gelo seco.



A decantação do Loureiro Clássico decorreu normalmente, depois de passado a limpo, começou a fermentar a baixa temperatura em cuba de inox.




O Loureiro V.V., começa, aqui, uma longa viagem pelo deserto...!!!








domingo, 25 de setembro de 2016

Vindimas Vinhos Verdes - Pequenos Rebentos "À Moda Antiga"

Ainda não arranjei explicação, mas sempre que estou perto de uma vindima, a minha cabeça fica na lua... Resultado: Trabalho acrescido!


Começando pelo inicio... Na Região dos Vinhos Verdes, como já disse anteriormente, não temos vinhas próprias, por essa razão temos de comprar uvas.



Deixamos-nos levar por Amarante, onde este ano, fazemos os nossos vinhos. Também em Amarante, o Sr. Henrique tem uma pequena vinha onde plantou varias castas, entre elas três muito especiais... O Alvarinho, O Arinto e o Avesso. 



Que me perdoem, os meus amigos que defendem, que o Alvarinho, só se exprime verdadeiramente na sub-região Monção-Melgaço. Eu também partilho dessa opinião, no entanto, e nos últimos anos tenho provado verdadeiras relíquias oriundas de micro-terroirs fora da sub-região.



2016 é um ano particularmente difícil um pouco por todo o País e a Região dos Vinhos Verdes não é exceção. Nesta altura, os cachos apresentam-se em regra geral muito mais pequenos que o normal, deixando a pensar, que o rendimento será baixo.



Tenho quase a certeza que este ar dentro da vinha, fresco, floral e intenso estará presente dentro de cada garrafa.



Como a adega não tem equipamentos para receber micro-vinificações, tenho que inventar....



Vai daí, recolho as uvas em três dornas, com recurso ao gelo seco + acido ascórbico, de forma a evitar oxidações. Desta forma evito, assim, usar sulfuroso.



Objectivo: macerar as peliculas junto com o mosto. Um processo que se fazia antigamente.



Como as uvas entraram pouco frescas, aplico sacos de gelo, para tentar baixar a temperatura das massas e poder fazer uma pré-maceração fermentativa a frio.



O gelo, à falta de melhor, é sempre um excelente ajudante.



Conseguir extrair, estrutura, aromas, intensidade e alguma rústicidade, é o propósito.
Enfim, fazer um vinho "À Moda Antiga"!



Deixo arrancar a fermentação, e faço uso dos equipamentos atuais, para trasfegar o vinho para as barricas :)


Filtro as peliculas e bagos.



E juntamente com o mosto de prensa, deixo fermentar nas barricas com as borras totais.
Se correr bem, este vinho dará inicio a uma nova marca na gama dos Pequenos Rebentos.

Assim, começa a vindima dos Pequenos Rebentos na Região dos Vinhos Verdes, desta vez À Moda Antiga :)









sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Vindimas Douro - Vinha do Pombal + Vinha da Serra


Eis chegado o grande dia. O dia em que resumimos todo o trabalho do ano em prol da nossa vinha. É pois tempo de trabalhar duro, mas também de desfrutar e sentir a magia deste lugar.


Começo pela melhor parte: A hora da bucha!
(Da esquerda para a direita: Sr. Ferreira, Márcio, Pedro, Toni, Sr. José, e o João a segurar na camara. Um grande abraço para todos eles)



De facto, o trabalho foi duro, e o sumo, esse, como ja se previa, embora não quisesse acreditar, muito pouco! Bem que podíamos procurar, mas os cachos ja ha muito haviam sido levados pelo granizo.



Embora, houvessem algumas "exceções" :)



Embora a produção fosse muito pouca, mesmo assim, os poucos cachos mais sensíveis que apresentavam sinais de podridão, como estes do lado esquerdo, são deitados para o chão.



A Vinha Velha é assim mesmo, baixinha, e obriga a um esforço físico suplementar para quem vindima...



... com cachos dispersos e sem orientação.




Mais uma pequena pausa... « Quem não serve para comer, não serve para trabalhar! »




Lembram-se da "passarada"... Pois, também ja seguiram o seu "voo"...



Algumas uvas brancas no tinto, também não fazem mal nenhum.



A Vinha do Pombal, deu mais quantidade de uvas brancas que tintas.



Começava a ser hora de levar as uvas para a adega.



Na Vinha da Serra, as uvas tintas não foram tão atingidas, mas mesmo assim, colhemos muito poucas.



Na adega, o trabalho continuou noite dentro, mais uma vez, com a ajuda do Jorge Lourenço por nos, ceder as suas instalações.
No caso do tinto, tivemos entre a Vinha do Pombal e a Vinha da Serra, cerca de 400kg de uvas tintas :(


As uvas tintas depois de desengaçadas foram pisadas a pé de forma a fazer uma extração suave de taninos e cor. Passaram cerca de 2 dias a fazer pré-maceração a frio, aproveitando a noites frias fora da adega. Sem qualquer tipo de adição, começam a fermentar com as leveduras nativas.
Espero estar enganado, mas devemos ter menos de 300L de vinho tinto :(



Na Vinha do Pombal tivemos cerca de 800kg de uvas brancas.
Depois de desengaçadas, as uvas foram esmagadas apenas com adição de acido ascórbico para não oxidar e uma pequena quantidade de Sulfuroso. Depois de decantado com ajuda de frio, sem adição de qualquer tipo de enzimas, o mosto foi passado e limpo, e esperamos que comece a fermentar com as leveduras nativas. Não creio, que tenhamos mais de 500Litros de mosto branco :(



Ano zero, na Vinha do Pombal, começou assim :)








terça-feira, 6 de setembro de 2016

Contagem decrescente... para a vindima!!!

Contagem decrescente... os nervos e ansiedade começam a tomar conta de mim.
Estou ansioso por começar especialmente esta vindima, ou por outro lado, encerrar um ano, que foi desastroso, e que no meu caso do Douro, me levou parte da produção.

Mas não me dou por vencido. Ainda há muito para fazer!

Penso que faz sentido começar a falar um pouco da Região dos Vinhos Verdes, onde produzo o Vinho Pequenos Rebentos. Aliás o futuro deste blogue passará por albergar informação de todos os nossos trabalhos realizados e vinhos produzidos, já a partir desta publicação.



Começando pelo Douro, as minhas princesas, dão uma preciosa ajuda. Na Vinha do Pombal, respira-se ar puro, as videiras embora danificadas pelo granizo de Julho, dão um ar da sua graça e começamos a sentir o cheirinho a vindima...



É tempo de começar com os controlos de maturação... A fim de determinar a data certa de vindima.



Olhar para vinha e perceber como está a reagir ao calor, que por esta altura é tórrido...



Ainda em relação aos estragos provocados pelo granizo, costuma-se dizer, "entre mortos e feridos alguém escapa"...


O amanhecer na Vinha do Pombal, é qualquer coisa especial.



A Vinha da Serra, um pouco atrasada, relativamente, à Vinha do Pombal, está a evoluir muito bem.

(A Vinha da Serra relembro, estava dada ao abandono quando comecei a cuidar dela por "empréstimo", a proprietária cedeu o terreno, e eu fico com as uvas. A intenção da proprietária era vender, e às portas da vindima, tentamos chegar a acordo para a compra, mas infelizmente, esse acordo não chegou e portanto, a Vinha da Serra, será comprada por outro senhor que vai arrancar a vinha, para depois poder usar os direitos de plantação noutro lado... Enfim, a vida nem sempre corre como queremos. Da Vinha da Serra, o único ano de produção será o de 2016!)

A vida continua, e por volta do fim de Agosto, conheci um Viticultor que tinha uma Vinha Centenária....


Que desassossego, estas uvas tinham de ser para mim...



Uma Vinha com 120 anos, plantada a 745 metros altitude, bem no limite da Região Demarcada do Douro. Exposta a Sul e Poente, com um solo já de transição entre o xisto e o granito, foi de uma forma geral, sendo tratada, pela sabedoria de um jovem de 75 anos.



Mais castas brancas que tintas.



De visita a Portugal, desafiei, o meu amigo Michael Wren, Enólogo, Australiano, mas apaixonado por Portugal, a fazer o vinho comigo. Já nos conhecemos há 10 anos, e nada melhor para comemorar do que fazer um vinho juntos!



Ainda são algumas videiras, mas umas têm 1 cacho, outras 2 cachos, outras nem um! Ainda assim pensamos vir a fazer cerca de 1200 a 1500kg.


Para além desta surpresa, e que rica surpresa, conto fazer na Região dos Vinhos Verdes, para além do Pequenos Rebentos Alvarinho e Pequenos Rebentos Alvarinho/Trajadura, algumas novidades.
A saber:



Vinhão de Amarante. Vinha recente plantada pelo Eng. Henrique, um homem das engenharias, mas um apaixonado pela Terra!



Vinha Velha de Loureiro com 27 anos. Local mágico entre Braga e Ponte de Lima.



Na Região dos Vinhos Verdes, não temos produção própria, por isso temos de comprar uvas, e que ricas uvas...


E provavelmente, um Alvarinho muito especial!


Todas as ideias, são inicialmente "lunáticas", e se a meteorologia ajudar, eu tenho de confessar que já estou com a cabeça na lua!!! :)